Osteoporose no idoso: riscos, diagnóstico e prevenção
A osteoporose é chamada de “doença silenciosa” com razão: ela não doi, não dá tontura, não avisa. A primeira manifestação é frequentemente uma fratura — e a fratura de fêmur em idoso tem mortalidade em um ano que pode chegar a 30%. Prevenir é possível. Mas exige diagnóstico antes da primeira fratura.
O que é osteoporose e por que afeta tanto idosos
Osteoporose é uma doença que reduz a densidade e a qualidade do tecido ósseo, tornando os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas — mesmo com traumas mínimos. Uma queda da própria altura, um espirro intenso, um movimento brusco podem ser suficientes para fraturar uma vértebra ou o fêmur em um paciente com osteoporose avançada.
O processo começa silenciosamente décadas antes: o osso adulto passa por ciclos constantes de renovação — células que reabsorvem osso velho (osteoclastos) e células que formam osso novo (osteoblastos). Com o envelhecimento, especialmente após a menopausa nas mulheres e de forma mais gradual nos homens, a reabsorção passa a superar a formação. O resultado é um osso progressivamente menos denso e mais poróso.
Dados: Internação Foundation for Osteoporosis Research and Education (IOFOS) e Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Fatores de risco: quem deve fazer o rastreio
A osteoporose tem fatores de risco bem documentados na literatura científica. Alguns não são modificáveis — como sexo e genética — mas outros são e podem ser abordados preventivamente. Converse com seu médico se você ou seu familiar se encaixa em algum desses perfis:
A queda do estrógeno acelera significativamente a perda óssea. É o principal fator de risco isolado.
Pais com fratura de quadril aumentam em até 2x o risco do filho desenvolver osteoporose.
Ambos interferem diretamente no metabolismo ósseo e reduzem a densidade mineral.
O exercício de impacto e resistência estimula a formação óssea. A inatividade acelera a perda.
Muito prevalente em idosos brasileiros. Essencial para a mineralização óssea adequada.
Uso crônico de corticosteroides é uma das causas mais comuns de osteoporose secundária.
Osteoporose não é exclusivamente feminina. Homens com mais de 70 anos, histórico de uso de corticoides, hipogonadismo ou outras condições crônicas têm risco significativo e freqüentemente não recebem rastreio adequado. Se você tem um pai ou avô idoso, inclua esse tema na próxima consulta médica.
Como é feito o diagnóstico
O principal exame para diagnóstico de osteoporose é a densitometria óssea (DEXA — Dual-energy X-ray Absorptiometry). É um exame não invasivo, rápido e de baixa dose de radiação que mede a densidade mineral óssea em regiões estratégicas como a coluna lombar e o fêmur proximal.
O resultado é expresso em um índice chamado T-score, que compara a densidade óssea do paciente com a de um adulto jovem saudável. A interpretação desse resultado, no entanto, exige contexto clínico — é o médico que define o significado dos números para aquele paciente específico, considerando idade, sexo, histórico e fatores de risco.
O médico pode também utilizar a ferramenta FRAX — um calculador validado pela OMS que estima o risco individual de fratura nos próximos 10 anos, combinando densidade óssea e fatores clínicos. Esse risco calculado orienta a decisão sobre o início do tratamento.
Quando o médico pode indicar rastreio
As diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia e da SBGG recomendam, de forma geral, que o médico avalie a necessidade de densitometria óssea em:
- Mulheres a partir dos 65 anos
- Homens a partir dos 70 anos
- Mulheres na pós-menopausa com fatores de risco, independentemente da idade
- Qualquer pessoa com fratura após trauma mínimo (fratura por fragilidade)
- Pacientes em uso crônico de corticoides ou outros medicamentos associados à perda óssea
A decisão sobre realizar ou não o exame e com que frequência é sempre do médico responsável, após avaliação individualizada.
Prevenção: o que a evidência científica apoia
A prevenção da osteoporose começa antes do diagnóstico — idealmente na meia-idade — e envolve hábitos que podem ser incentivados pela família, sempre com orientação médica:
Atividade física
Exercícios de impacto (caminhada, dança) e resistência muscular (musculação) estimulam a formação óssea e melhoram o equilíbrio, reduzindo também o risco de quedas. O tipo e a intensidade devem ser definidos pelo médico e, idealmente, supervisionados por fisioterapeuta ou educador físico com experiência em geriatria.
Nutrição adequada
Cálcio e vitamina D são os principais nutrientes relacionados à saúde óssea. A ingesta adequada de cálcio por meio da alimentação e a exposição solar moderada para produção de vitamina D são estratégias com boa evidência. A necessidade de suplementação, as doses e a forma de administração devem ser avaliadas e prescritas pelo médico — a suplementação indiscriminada de cálcio pode ter efeitos adversos e não deve ser feita sem orientação.
Cessação do tabagismo e redução do álcool
Ambos têm impacto negativo documentado no metabolismo ósseo. A cessação do tabagismo é uma das intervenções preventivas com maior relevância para saúde óssea, além de todos os outros benefícios conhecidos.
Prevenção de quedas
Osso fragil + queda = fratura. Por isso a prevenção de quedas é parte integrante do manejo da osteoporose. Os dois problemas caminham juntos na avaliação geriátrica. Leia também nosso artigo sobre prevenção de quedas em idosos.
Não inicie suplementação de cálcio, vitamina D ou qualquer outro produto sem orientação médica. Doses excessivas de cálcio, por exemplo, estão associadas a maior risco cardiovascular em alguns estudos. O médico avaliará a real necessidade e a dose adequada para cada caso.
A ligação entre osteoporose e a Dra. Elen
Além da formação em geriatria pelo HC-UFMG, a Dra. Elen da Mata é colaboradora do Ambulatório de Osteometabolismo do HC-UFMG — referência em Minas Gerais para doenças que afetam o metabolismo ósseo, incluindo osteoporose e outras osteodistrofias. Esse vínculo traz uma perspectiva especializada para o acompanhamento de pacientes com risco ou diagnóstico estabelecido de osteoporose.

Médica geriatra com residência no HC-UFMG e mestrado em Medicina Translacional pela FCMMG. Colaboradora do Ambulatório de Osteometabolismo HC-UFMG. Conteúdo baseado nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia, SBGG e IOF.