Quando procurar um geriatra: o guia completo para a família
“Doutorão, você acha que eu precisava ter vindo antes?” Essa pergunta eu ouvi mais vezes do que deveria. A resposta, quase sempre, é sim. O momento certo para procurar um geriatra é antes que os problemas se acumulem — não depois.
Mas quando exatamente? É o que este artigo responde com clareza.
O que faz um geriatra que outros médicos não fazem
Antes de falar sobre o momento certo, vale entender o que diferencia a geriatria das outras especialidades.
O geriatra é o especialista no envelhecimento humano. Mas o que isso significa na prática? Que ele não trata doenças isoladas — ele trata a pessoa como um todo. Uma consulta geriátrica avalia:
- Cognição: memória, atenção, raciocínio, linguagem
- Funcionalidade: o que o paciente consegue fazer sozinho no dia a dia
- Mobilidade: risco de quedas, força muscular, equilíbrio
- Medicamentos: revisão completa de tudo que está tomando
- Humor e saúde emocional: depressão, ansiedade, insomônia
- Rede de suporte: quem cuida, qual o impacto na família
- Nutrição e peso: perda de peso involuntária, sarcopenia
- Vacinas e prevenção: calendário vacinal e rastreios preventivos
Nenhuma dessas dimensões pode ser avaliada em 15 minutos. Por isso a consulta geriátrica dura 1h30 — e esse tempo é insubstituível.
A partir de que idade devo procurar um geriatra
Tecnicamente, a geriatria atende pacientes a partir dos 60 anos. Mas esse limite está se tornando cada vez mais flexível — e por boas razões.
Iniciação ao acompanhamento geriátrico preventivo. Mesmo sem queixas, a avaliação de base documenta o estado funcional e cognitivo do paciente.
Indicado quando há múltiplas doenças crônicas, muitos medicamentos, histórico familiar de Alzheimer ou sinais precoces de qualquer das áreas avaliadas pela geriatria.
Quando há alteração cognitiva, queda recente, perda de peso involuntária ou mudança brusca de comportamento — a idade é secundária.
A avaliação geriátrica é igualmente importante aos 70, 80 ou 90 anos. Não existe “tarde demais” para uma primeira consulta.
12 sinais de que chegou a hora de marcar a consulta
Não espere o médico de outra especialidade encaminhar. Se o seu familiar apresenta qualquer um dos sinais abaixo, marque diretamente com um geriatra:
- Esquecimento frequente que afeta o dia a dia — compromissos, contas a pagar, nomes de pessoas próximas.
- Queda recente — mesmo sem fratura, qualquer queda em idoso merece avaliação do risco de recorrência.
- Perda de peso involuntária — mais de 5% do peso em 6 meses sem mudar a dieta é um sinal que exige investigação.
- Uso de 5 ou mais medicamentos — a polifarmácia é um dos maiores riscos em idosos e só o geriatra faz a revisão completa.
- Dificuldade para fazer coisas que antes eram fáceis — cozinhar, dirigir, pagar contas, usar o celular.
- Mudança de humor ou personalidade — irritação, apatia, desconfiança ou tristeza que não eram características da pessoa.
- Dificuldade para andar ou equilíbrio instante — marcha arrastada, insegurança ao subir escadas, precisa apoiar em paredes.
- Isolamento social progressivo — abandono de atividades, amigos e hobbies sem motivo claro.
- Insuficiência de sono — dormir durante o dia e estar ativo à noite (inversão do ciclo) pode indicar condições neurológicas.
- Controle inadequado de doenças crônicas — diabetes, hipertensão ou cardiopatia que não estão respondendo bem ao tratamento atual.
- Histórico familiar de Alzheimer — parentes de primeiro grau aumentam significativamente o risco e justificam acompanhamento preventivo.
- A família está preocupada — esse é o sinal mais subestimado. Se quem convive com o idoso está preocupado, existe motivo.
Se você está lendo este artigo pensando em alguém específico, já é hora de marcar a consulta. A preocupação que te trouxe até aqui é informação clínica relevante.
Geriatra x clínico geral x neurologista: qual é a diferença
Uma dúvida comum: “O clínico geral não resolve?”
Depende. O clínico geral é excelente para acompanhamento de doenças crônicas estabilizadas. Mas ele não tem o tempo nem a formação específica para fazer uma avaliação funcional e cognitiva completa, revisar todos os medicamentos sob a ótica do envelhecimento e integrar dez dimensões de saúde em um único plano de cuidado.
O neurologista, por sua vez, é indispensável quando já há um diagnóstico neurológico estabelecido — mas não substitui a avaliação geriátrica ampla na suspeita inicial.
O caminho mais eficiente na maioria dos casos: geriatra primeiro, que encaminha ao neurologista quando indicado.
O que esperar da primeira consulta geriátrica
Muitas famílias chegam sem saber o que vai acontecer. Aqui está o que você pode esperar de uma primeira consulta com a Dra. Elen:
Antes de ir
- Levar todos os medicamentos em uso (caixas ou receitas) — incluindo suplementos e remédios comprados sem receita
- Reunir exames recentes — laboratoriais, de imagem e relatórios médicos dos últimos 2 anos
- Trazer o cartão de vacinas
- Trazer dispositivos de auxílio — óculos, aparelho auditivo, bengala — para avaliação de adequação
- Vir acompanhado — a perspectiva de quem convive com o paciente é essencial
Durante a consulta
A consulta dura 1h30 e inclui conversa detalhada com o paciente e o acompanhante, testes cognitivos validados, avaliação da marcha e equilíbrio, revisão completa dos medicamentos e exame físico focado nas áreas relevantes para a geriatria.
Ao final
Você sai com um plano de cuidado personalizado: prioridades definidas, ajustes de medicamentos quando necessário, solicitação de exames e encaminhamentos se indicados. Não é uma lista de problemas — é um mapa do que fazer.
Particular ou convênio: como funciona
A consulta com a Dra. Elen é particular. Mas isso não significa que o convênio fica de fora: a maioria dos exames solicitados pode ser realizada pelo seu plano de saúde. E dependendo do seu convênio, você pode solicitar reembolso da consulta.
Atendimento presencial no consultório em Belo Horizonte (Mangabeiras), atendimento domiciliar em BH e região, e teleconsulta online para pacientes de outras cidades.

Médica geriatra com residência no HC-UFMG e mestrado em Medicina Translacional pela FCMMG. Membro titular da SBGG e embaixadora do Instituto Orizonti. Especialista em envelhecimento saudável, demência e avaliação geriátrica ampla.